Beneficiários do INSS que não possuem biometria facial cadastrada ganharam uma nova forma de autorizar empréstimos consignados. A partir das regras publicadas em agosto de 2026, a validação de dados bancários poderá ser utilizada quando o sistema não localizar a biometria do titular.
A medida facilita o acesso ao crédito para aposentados, pensionistas e outros beneficiários que enfrentavam dificuldades na autenticação. Entretanto, a contratação continua dependendo da autorização expressa do titular no Meu INSS.
Como funciona o consignado do INSS sem biometria?
A biometria permanece como a primeira opção de validação. Quando o beneficiário acessa o sistema para autorizar o empréstimo, a Dataprev verifica se existe cadastro biométrico disponível nas bases do governo.
Se nenhuma biometria for localizada, o sistema poderá liberar a autenticação pela conta Gov.br com validação de dados bancários.
Isso não significa que o banco poderá contratar o empréstimo automaticamente. O beneficiário deverá entrar no Meu INSS e confirmar expressamente a operação.
A mudança foi estabelecida pela Instrução Normativa PRES/INSS nº 213, de 17 de agosto de 2026, conforme comunicado publicado pelo próprio Instituto. Confira a informação no portal do INSS.
O empréstimo precisa ser confirmado no Meu INSS
Depois de solicitar o consignado em uma instituição financeira, o beneficiário tem até cinco dias para confirmar a operação no site ou aplicativo Meu INSS.
O dinheiro somente poderá ser liberado depois dessa confirmação. Se o pedido não for autorizado dentro do prazo, a operação poderá expirar.
Antes de confirmar, é importante verificar:
- Nome da instituição financeira;
- Valor que será depositado;
- Quantidade de parcelas;
- Valor mensal da prestação;
- Taxa de juros;
- Custo Efetivo Total, conhecido como CET;
- Valor total que será pago;
- Existência de seguro ou serviço adicional.
Não confirme uma operação apenas porque um atendente enviou um link ou pediu que você acessasse o aplicativo. Primeiro, leia todas as condições apresentadas dentro do ambiente oficial.
Benefício novo continua bloqueado por 90 dias
Em regra, um benefício recém-concedido permanece bloqueado para empréstimos consignados durante os primeiros 90 dias.
Depois desse período, o titular pode solicitar o desbloqueio pelo Meu INSS. Caso não faça a solicitação, o benefício continuará bloqueado.
O prazo também deve ser observado nos casos de transferência da localidade de pagamento do benefício.
Esse bloqueio funciona como uma camada de proteção contra ofertas insistentes e contratações realizadas logo após a concessão da aposentadoria ou pensão.
Qual é a margem do consignado do INSS?
Segundo a regra divulgada pelo Instituto em agosto de 2026, a margem consignável pode chegar a 40% do valor do benefício.
A margem representa o limite da renda mensal que pode ser comprometido com modalidades de crédito consignado. Isso não significa que seja recomendável utilizar todo o limite disponível.
Como as parcelas são descontadas antes de o benefício chegar à conta, o aposentado ou pensionista passa a receber um valor menor todos os meses. Por isso, é necessário calcular se a renda restante será suficiente para alimentação, medicamentos, moradia e demais despesas essenciais.
Em quantas parcelas o empréstimo pode ser feito?
A nova norma estabelece prazo máximo de 108 parcelas mensais e sucessivas.
Um prazo maior pode diminuir o valor da prestação, mas também pode aumentar consideravelmente o total de juros pagos. Por isso, não compare propostas apenas pela parcela mensal.
Observe sempre o CET e o valor final da operação.
O banco precisa enviar documentos ao INSS
A instituição financeira deve encaminhar ao INSS os documentos e as informações exigidas para o registro da operação, incluindo:
- Contrato do empréstimo;
- Documento de identificação com foto;
- CPF do beneficiário;
- Autorização para o desconto;
- Comprovante de depósito do dinheiro.
Os comprovantes de depósito devem ser enviados em até sete dias úteis após a contratação. Se a documentação não for apresentada dentro do prazo, o INSS poderá interromper os descontos e reter o repasse à instituição até a regularização.
Como evitar fraudes durante a contratação
Mesmo com as novas etapas de confirmação, o beneficiário precisa adotar cuidados básicos:
- Acesse o Meu INSS digitando o endereço oficial ou usando o aplicativo;
- Não entregue a senha Gov.br para atendentes, familiares ou correspondentes;
- Não envie selfies ou documentos a números desconhecidos;
- Não instale aplicativos indicados durante ligações;
- Não pague taxas antecipadas para liberar empréstimos;
- Leia o contrato antes de confirmar;
- Compare as taxas de diferentes instituições;
- Bloqueie novamente o benefício depois da contratação, caso não pretenda fazer outro empréstimo.
O INSS não concede dinheiro e não atua como banco. O contrato é celebrado entre o consumidor e a instituição financeira; o Instituto apenas administra o desconto no benefício.
A nova regra é segura?
A validação bancária facilita o acesso de quem não possui biometria, mas o nível de segurança também depende do cuidado do beneficiário com sua conta Gov.br.
Não compartilhe códigos recebidos por SMS, senhas ou dados de acesso. Se alguém pedir que você confirme uma operação durante uma ligação, encerre o contato e verifique diretamente no aplicativo.
Em caso de dúvida, utilize o Meu INSS ou ligue para a Central 135.
Resumo: quem não possui biometria poderá usar a validação bancária quando essa opção for disponibilizada pelo sistema. A contratação, porém, continua exigindo autorização expressa do titular.
